Uma tragédia familiar abalou a comunidade de Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Priscila Carla Pimentel, de 32 anos e mãe de seis filhos, foi brutalmente assassinada a golpes de faca por seu ex-companheiro. O crime hediondo ocorreu mesmo após Priscila acumular diversas denúncias e solicitações de medida protetiva contra o agressor, revelando uma falha alarmante na proteção da vítima.
O Crime Brutal e a Indignação
O assassinato de Priscila aconteceu em um momento de esperança e preparativos. Segundo testemunhas e familiares, a vítima havia ido à casa da ex-sogra para buscar objetos essenciais para a formatura de uma de suas filhas, um evento que a adolescente, com muito esforço, tentava realizar. Neste dia fatídico, Priscila carregava consigo o dinheiro de uma rifa que promovia para ajudar nas despesas e o cartão bancário destinado ao pagamento do vestido da formanda.
Foi nesse contexto que ela foi surpreendida pelo ex-marido. O agressor desferiu os golpes de faca na presença de uma filha adolescente, de apenas 14 anos, que, em desespero, pediu socorro. Priscila ainda tentou fugir, mas os ferimentos foram fatais e ela não resistiu. Posteriormente, a perícia devolveu aos familiares os objetos que Priscila carregava – o dinheiro e o cartão – agora manchados com o sangue da vítima, um testemunho silencioso da barbárie.
Medida Protetiva Ignorada e o Histórico de Violência
A história de Priscila é marcada por um ciclo de violência e um clamor por ajuda que infelizmente foi ignorado. Ela havia procurado a polícia em diversas ocasiões para denunciar as agressões e ameaças do ex-companheiro. Uma medida protetiva de urgência, datada de 7 de julho de 2025, estava ativa, mas não foi suficiente para impedir o feminicídio. Familiares relatam que o ex-marido não demonstrava qualquer medo da Justiça, reiterando um padrão de impunidade que culminou nesta fatalidade.
O suspeito, de 34 anos, após cometer o crime, se entregou no fórum de Jaboatão dos Guararapes e foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que agora investiga o caso. A comunidade e a família de Priscila esperam que a justiça seja feita e que este crime não caia no esquecimento, especialmente diante do histórico de denúncias ignoradas.
O Desabafo Dilacerante da Família
"Aqui nesse pendrive, ela guardou tudo. Ela foi documentava pra polícia."
A dor e a indignação da família foram expressas de forma comovente pela irmã de Priscila. Abalada, ela mostrou o dinheiro ensanguentado e um pendrive onde a vítima guardava documentos e registros das violências sofridas, demonstrando a persistência de Priscila em buscar proteção e documentar cada agressão.
A irmã também criticou duramente o sistema judicial, expressando o temor de que, mesmo confessando o crime, o suspeito possa ser beneficiado, como teria acontecido em outras ocasiões em que ameaçou Priscila. Em um apelo emocionado, ela questionou o futuro dos seis sobrinhos que ficaram órfãos:
- "Eu tenho seis sobrinhos."
- "A minha sobrinha vai ter a mãe na formatura dela? Não vai."
Este trágico episódio ressalta a urgência de uma rede de proteção mais eficaz para mulheres vítimas de violência e a necessidade de que as denúncias sejam levadas a sério antes que seja tarde demais. A memória de Priscila Carla Pimentel e o futuro de seus seis filhos clamam por justiça e por um basta à violência contra a mulher.