A Polícia Civil da Bahia (PC-BA) está em meio a uma investigação complexa e de grande repercussão: o assassinato de Rhianna Alves, uma mulher trans de apenas 18 anos, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste do estado. O crime, ocorrido no último sábado (6), chocou o país, especialmente pela situação do principal suspeito, Sérgio Henrique Lima dos Santos, de 19 anos, que confessou ter matado a jovem mas foi posto em liberdade.
Quem era Rhianna Alves?
Rhianna Alves, com 18 anos, residia em Luís Eduardo Magalhães e era conhecida nas redes sociais, onde se apresentava como blogueira e compartilhava seu dia a dia com mais de 5 mil seguidores. Sua morte precoce interrompeu uma vida de visibilidade e conexão digital. O corpo da jovem foi sepultado nesta terça-feira (9), em América Dourada, cidade de sua família, localizada a 430 km de Salvador.
Quem é o suspeito, Sérgio Henrique Lima dos Santos?
Identificado como Sérgio Henrique Lima dos Santos, de 19 anos, o suspeito atua como motorista por aplicativo e também trabalha com lava-jato no município de Barreiras, também no oeste da Bahia. Até o momento, o g1 não obteve retorno ao tentar contato com o jovem ou com sua defesa.
A Versão do Suspeito sobre o Crime
Em seu depoimento à polícia, Sérgio Henrique alegou ter buscado Rhianna para ter relações sexuais. Segundo ele, durante o trajeto de volta para casa da vítima, uma discussão teria se iniciado. A versão do suspeito indica que Rhianna o teria ameaçado de expor a relação dos dois e de acusá-lo de estupro. Diante disso, e após um movimento da vítima indicando que ela pegaria algo na bolsa, o suspeito afirmou ter aplicado um golpe de "mata-leão". Após o ataque, Sérgio Henrique dirigiu até a delegacia, onde pediu socorro aos policiais, que imediatamente acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No entanto, Rhianna já estava sem vida.
Por que o Suspeito Não Foi Preso?
A não prisão de Sérgio Henrique, mesmo após a confissão, gerou forte questionamento público. A polícia informou que ele foi solto "em razão de ter se apresentado espontaneamente e confessado o crime", alegando legítima defesa em seu depoimento. O advogado criminalista Miguel Bonfim, em entrevista à TV Bahia, explicou que a liberação está prevista nas leis brasileiras e que a prisão em flagrante não se enquadra neste cenário.
"Nossa constituição prevê que ninguém poderá ser preso se não em flagrante delito ou por decisão judicial competente e bem fundamentada. A regra, na verdade, no ordenamento jurídico brasileiro é que a pessoa responda o processo em liberdade. [...] Por mais infeliz e repugnante que isso possa parecer, a nossa legislação, sobretudo a Constituição Federal, prevê a presunção de inocência até o trânsito em julgado", detalhou Bonfim.
Detalhes da Investigação
A Polícia Civil (PC) está investigando o caso como feminicídio pela delegacia da cidade. Em nota, a corporação esclareceu que diversas pessoas estão sendo ouvidas e outras investigações complementares estão sendo realizadas para esclarecer completamente o ocorrido, embora não tenha detalhado o teor dessas novas diligências.
Repercussão do Caso
A brutalidade do assassinato e a subsequente soltura do suspeito provocaram uma enorme onda de repercussão, especialmente nas redes sociais. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) manifestou-se sobre o caso. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) emitiu uma nota, informando que acompanhará de perto a situação e cobrará celeridade nas investigações. O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) também está atento, acompanhando as investigações da Polícia Civil e requisitará informações para adotar as providências cabíveis. A Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Seção Bahia, também monitora a ocorrência. Ives Bittencourt, presidente da comissão, enfatizou a gravidade:
"Ele proferiu um mata-leão e matou, de fato, essa mulher trans apenas por uma ameaça. Então, é um caso que ainda está incomodando toda a comissão, todos os membros, a própria OAB da Bahia e nós vamos seguir acompanhando a investigação", afirmou Bittencourt, destacando o compromisso da OAB com o desdobramento da investigação.